quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Americano investe em máquina de DNA portátil

 Americano investe em máquina de  DNA portátil

São Paulo - A filha de 14 anos do engenheiro e empresário Jonathan Rothberg foi a inspiradora de um projeto que, em 20 anos, pode dar origem a um mercado de 100 bilhões de dólares, de acordo com a revista Fortune.

A primeira dos cinco filhos de Rothberg possui uma doença genética rara chamada esclerose tuberosa, que pode causar a formação de tumores benignos no coração, rins, pele, pulmões, olhos e cérebro. Isso levou seu pai a criar uma máquina portátil leitora de DNA, uma solução mais barata para a identificação dos genes da doença e o desenvolvimento da cura.


Com cerca de 61 centímetros de largura, 50 de profundidade e 53 de altura, a chamada Ion Torrent Personal Genome Machine (PGM) é o dispositivo decodificador de DNA menor e mais barato do mercado. O aparelho é composto por uma tela de toque de oito polegadas, um compartimento para instalar um iPhone, para a transferência de dados, e uma fileira de quatro tubos de ensaio marcados com símbolos representantes das quatro bases nitrogenadas do DNA (guanina, citosina, adenina e timina).

A máquina é capaz de ler 10 milhões de letras do código genético em duas horas e custa por volta de 50.000 dólares, valor igual a um décimo dos outros aparelhos com a mesma finalidade. O PGM é a esperança de cientistas, hospitais locais, universidades para expandir as pesquisas sobre o genoma para a cura de doenças e outras utilidades.

Segundo a reportagem da Forbes, metade das 1.400 máquinas de mapeamento de DNA o mundo estão nas mãos de 20 grandes centros de pesquisa acadêmicos e governamentais. Isso porque os aparelhos comuns custam 600.000 dólares, levam uma semana para render resultados e precisam de equipes técnicas para operá-los. Com o sucesso da máquina criada por Rothberg, essa realidade pode mudar devido à rapidez das análises e a maior disseminação das ferramentas.

Atualmente, só 400 laboratórios usam equipamentos para leitura genética, mas a meta do engenheiro é alcançar 4.000 grupos de pesquisa que ainda não possuem a tecnologia. Por meio da popularização, ele pretende fazer com que o mercado atual, de 4 bilhões de dólares, passe a movimentar 100 bilhões de dólares.

Desafios e planos

No entanto, o engenheiro enfrentará obstáculos para implementar essa mudança, uma vez que terá de bater de frente com a concorrência da Illumina, de San Diego, que domina o ramo e atuou na maior parte das principais descobertas na área. Outros riscos a enfrentar são a possibilidade de o equipamento se tornar obsoleto e de se mostrar pouco eficiente na procura por genes ligados a doenças.

Ainda com um desempenho considerado lento em relação a máquinas da Illumina, Rothberg promete que, até 2012, a máquina PGM vai dobrar em eficiência, passando de 10.000 para 20.000 genes protéicos decodificados em duas horas. E, para um futuro ainda indefinido, ele considera também a possibilidade de criar uma máquina do tamanho de um iPad.

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