domingo, 27 de fevereiro de 2011

Venda de jogos e briga de casais crescem juntos no Brasil


Uma pesquisa da Brazil Quarterly PC Tracker, realizada pela empresa IDC, mostrou que o Brasil é o 4º maior mercado mundial para computadores. Só em 2010, foram mais de 13 milhões de unidades vendidas no país, um crescimento de 23,5% em relação ao ano anterior. Mas a notícia não agrada a todos: junto com as vendas, cresce o número de casais que se queixam de brigas recorrentes envolvendo os videogames ou outros tipos de jogos.
Alguns analistas começam a definir o comportamento: o tecnoestresse, ou o estresse oriundo do abuso das novas tecnologias, deixa as pessoas mais irritadas, menos atentas e com mais dificuldades de manter os laços afetivos. Para a psicóloga Heloisa Caldas, do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, os games funcionam como um "esconderijo".
"As relações amorosas, de corpo presente, são mais profundas que as cibernéticas, mas são mais difíceis também", observa. "Por isso, acabam prejudicadas por esse mundo virtual, já que quando o casal se depara com os conflitos, o parceiro usa a tecnologia como mecanismo de fuga".
A estudante Liana Correia, 22 anos, diz que já perdeu a conta das vezes em que o namorado a deixou esperando por causa dos jogos eletrônicos. "Teve um fim de semana que a gente só brigou por causa dos jogos. Na segunda-feira, para compensar, ele me ligou marcando um jantar. Só que, no mesmo dia, apareceu um amigo na casa dele para jogar videogame e logo ele me dispensou", diz a estudante.
O psiquiatra da Universidade Federal Fluminense Jairo Werner afirma que o apetite sexual desses homens ainda está lá, o que muda é o objeto de desejo. "Essas pessoas substituem a vida sexual pela virtual. O parceiro, em vez de ir pra cama e deitar com a mulher, fica no computador jogando ou vendo pornografia. Ele não compartilha as fantasias com a parceira, se compromete com certas redes e vai procurando prazer em relações cibernéticas", diz o especialista.
Para o psiquiatra, a solução é buscar o diálogo e evitar confrontos. "As pessoas têm medo de falar o que sentem, receosas de se tornarem chatas. Mas elas acabam revelando o descontentamento de outra forma, com irritabilidade ou piadinhas que só agravam o problema. O ideal é sempre conversar".
O analista de sistemas Marcel Barbosa, 31 anos, que tem três videogames e mais de 200 jogos, conta que os equipamentos já foram foco de várias brigas com a namorada, mas hoje o casal se entende. "Chegamos a terminar por causa disso. Hoje eu reconheço quando exagero e ela também é mais flexível", diz. "Tem coisas que ela gosta de fazer que eu não gosto, é aí que aproveito para ficar jogando".

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