quinta-feira, 14 de abril de 2011

Foxconn criará 100 mil vagas? Abinee questiona

Foxconn criará 100 mil vagas? Abinee questiona




SÃO PAULO – Os planos da fabricante taiwanesa de componentes eletrônicos Foxconn de investimento no Brasil, com direito à geração de milhares de empregos, são encarados com certa desconfiança.
Segundo afirmou nesta quinta-feira o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, o investimento de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões) no país para os próximos cinco anos envolveria a construção de uma “cidade inteligente” que daria emprego a 100 mil pessoas, um número considerado alto demais pelo presidente da Abinee (Associação Brasileira das Empresas Eletroeletrônicas), Humberto Barbato.

O projeto apresentado na terça por Mercadante, que integra a comitiva da presidente Dilma Rousseff na China, cita que 20 mil desses postos de trabalho a serem gerados em função do investimento da companhia no país serão destinados a engenheiros e 15 mil a técnicos especializados, relata a AFP.

A agência diz que a implantação terá duas fases. A primeira, que começará neste ano e irá até 2013, envolverá a produção de componentes para telefones celulares, notebooks, tablets e monitores de escritório, e posteriormente, entre 2014 e 2016, envolverá a produção de aparelhos de TV de alta definição.

Maior exportador da China, com faturamento de 100 bilhões de dólares ano passado, a Foxconn possui um milhão de empregados, metade deles em Shenzhen (sul), na fronteira com Hong Kong, unidade que ganhou a desagradável fama de “fábrica dos suicídios”.

Em comunicado oficial, a Foxconn confirma estar em processo de análise para um investimento no Brasil, mas diz depender de um aval do seu conselho diretor e de autoridades relevantes para anunciar o projeto (confira nas páginas seguintes, a nota da Foxconn sobre investimento no país e o que a Abinee pensa sobre essa suposta contração em massa da companhia).

O Brasil é um país rico em recursos naturais, um vasto mercado de consumo e tremendo potencial para desenvolvimento econômico. Também está estrategicamente posicionado para atender à demanda de mercados crescentes na América Latina.

Guiados por uma estratégia de “estar onde o mercado está”, há muito tempo estudamos oportunidades de investimento no Brasil. Estamos em um processo de explorar oportunidades neste importante mercado e conduzindo uma análise profunda do ambiente de investimentos nesse país.
Com relação à confirmação de algum projeto de investimento específico, a política da Foxconn é de apenas fazer um anúncio após receber a aprovação do conselho diretor da empresa e de autoridades relevantes.

Nota original, em inglês:
Being the leader in the global contract manufacturing industry, Foxconn Technology Group’s time-honored business strategy of doing what is best to serve the needs of key markets around the globe has helped us succeed in a very competitive industry environment while also positioning us as the most trusted partner to leading global brands.

Brazil is a country with rich natural resources, a vast consumer market and tremendous economic development potential. It is also strategically positioned to meet the needs of growing markets throughout Latin America.

Guided by a strategy of “being where the market is”, we have long been studying investment opportunities in Brazil. We are currently in the process of exploring opportunities in that important market and conducting a substantive analysis of that country’s overall investment environment. With regard to confirmation of any specific investment projects, Foxconn’s policy is to only make an announcement following the receipt of relevant approvals from our company’s Board of Directors and any relevant authorities.
100 mil contratações em cinco anos?

Todo investimento produtivo no país é bem-vindo, porém os números são exagerados. Essa é a avaliação do presidente da Abinee (Associação Brasileira das Empresas Eletroeletrônicas), Humberto Barbato.

O presidente da entidade estranhou os números apresentados pelo ministro Mercadante, sobretudo a parte em que fala que a empresa asiática irá contratar 100 mil profissionais no país em cinco anos.

“Esses números estão um pouco inflados. Todo o setor elétrico/eletrônico brasileiro emprega diretamente 175 mil pessoas. Não dá para imaginar que só uma empresa vá gerar 20 mil empregos por ano e um total de 100 mil em cinco. Isso está fora de qualquer quadro”, argumenta.

Barbato acredita que, a se confirmar esse alto investimento da Foxconn em mão de obra no Brasil, a empresa terá muita dificuldade devido à falta de profissionais qualificados no país. “Durante muitos anos, o Brasil não crescia tanto. Antigamente, não se optava pela formação em cursos de engenharia e tecnologia porque não havia oportunidades. Com o crescimento do mercado, começou faltar mão de obra especializada. A nossa indústria sofre com a carência de profissionais qualificados. O país forma muito mais na área de Humanas do que em Exatas”, explica.

Crítico da política econômica do governo brasileiro, o presidente da Abinee desconfia que se possa fazer um investimento desse porte. “O país é muito caro por causa da moeda, e não é conveniente um investimento assim. A empresa não vai jogar contra a maré. Desde que o dólar passou dos R$ 2,50, o governo deveria ter tomado medidas para conter e reverter essa valorização excessiva”, reclama.

Duas outras empresas chinesas de telecomunicações anunciaram planos para o Brasil. A ZTE quer investir US$ 250 milhões numa fábrica em Hortolândia (SP). Já a Huawei planeja um centro de pesquisa de até US$ 350 milhões em Campinas.

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