São Paulo - O principal coordenador da décima segunda edição da FISL (Fórum Internacional de Software Livre), que acontece esta semana em Porto Alegre, Sady Jacques, vê prejuízos à colaboração online e ao movimento do software livre em função da onda de invasões cracker no mundo.

Na avaliação de Jacques, a crise de segurança leva muitos usuários a confundir os programadores hackers, que desenvolvem tecnologias de modo colaborativo, com criminosos crackers, diminuindo a força do software livre.


Em entrevista ao site da INFO, o coordenador da FISL rebate a ideia de que o Fórum seja dependente do governo e afirma que aplicações open source estão ganhando espaço também no setor privado e cita fenômenos como Android e Firefox como exemplos da ascensão do software livre no Brasil.


Info: Nesta edição da FISL, a exemplo dos anos anteriores, há forte presença de estatais e patrocínios de governos. O software livre não consegue conquistar o setor privado?

Sady Jacques: No mundo todo os governos são os maiores consumidores de TI e também os principais fomentadores de novas tecnologias. Então, eu digo que qualquer evento de TI para ser bem-sucedido precisa de algum apoio público. Nós temos, nos últimos oito anos, recebido forte apoio do Governo Federal, não só para realizar a FISL, mas sobretudo para disseminar o software livre nas escolas e empresas. Mas não é só isso. O movimento open source está conquistando os usuários finais e as grandes empresas privadas.

Info: De que forma isso acontece?

Sady Jacques: Eu posso citar o sucesso do Firefox e do Ubuntu, que são produtos livres muito elogiados e adotados em massa pelos usuários.  Mas há também fenômenos como o Android e grande parte das aplicações para computação em nuvem que comprovam o sucesso do software livre. O Brasil vive um processo de lenta migração para plataformas abertas. Há 10 anos, praticamente só a IBM disseminava serviços para explorar o open source, hoje há centenas de grupos importantes ganhando dinheiro e gerando negócios baseados em aplicações abertas.


Info: Os primeiros trabalhos feitos com GNU/Linux completam este ano duas décadas, mas o software livre ainda é muito minoritário no mercado de TI, não?

Sady Jacques: Há espaço no mercado tanto para aplicações de código fechado quanto para soluções open source. Mais do que uma questão mercadológica, a opção pelo software livre permite desenvolver melhor as economias locais e, no caso do Brasil, viabiliza que nós mesmos tenhamos domínio sobre as tecnologias que usamos. O ganho científico também deve ser levado em conta.

Quando o conhecimento é livre e acessível a todos, a ciência tem muito mais condições de avançar. Fechar programas e ideias em torno da propriedade intelectual é, a meu ver, um grande atraso. A própria origem da internet e os protocolos de acesso à web estão intrinsecamente ligados a pesquisas acadêmicas abertas, com múltiplas mentes contribuindo de modo livre. A internet comercial e as aplicações fechadas só aparecem num segundo momento da web, de certa forma se apropriando desse conhecimento.

Info: Recentemente, vimos o uso da colaboração para viabilizar ataques a redes seguras. Este tipo de ativismo é bom ou ruim para a comunidade do software livre?

Sady Jacques: É ruim, pois gera uma confusão entre o que é hacker e o que é um cracker. A palavra hacker, no sentido histórico, é um elogio. Hacker é um cara muito habilidoso, inteligente e que usa sua expertise para, em colaboração com terceiros, resolver problemas complexos e ajudar a ciência e a tecnologia a evoluírem. Quando alguém promove um ato de vandalismo na web ou furta dados com a intenção de obter lucro, então, esse sujeito é um cracker.

É alguém que não compreende a natureza nobre de ser um hacker e contribuir para uma sociedade melhor. Avalio que a imprensa tem ajudado muito para agravar essa confusão, chamando de hacker toda e qualquer invasão quando, na verdade, deviam usar a expressão cracker.

Info: Há momentos em que é difícil definir se uma ação é cracker ou hacker, não?

Sady Jacques: Sim. Veja, por exemplo, os ataques feitos contra sites de cartão de crédito que se recusaram a suportar doações para o WikiLeaks. Essa é uma ação controversa pois os jovens que desferiram esses ataques estavam movidos por um ideal supostamente nobre, que era proteger o WikiLeaks. Eu entendo que a ação de invadir redes seguras não é a melhor forma de reagir. No entanto, a internet não possui um dono, não há como controlar a ação desses ativistas. O que eu posso sugerir é que as companhias não respondam de forma autoritária e aprendam a se relacionar com esse novo mundo. Por muito tempo, não houve canal de diálogo entre, por exemplo, as operadoras de cartão de crédito e os internautas. As recentes invasões mostram que estas companhias não podem fazer o que quiserem, precisam dialogar com as comunidades online.

Info: Como fazer isso?

Sady Jacques: Um exemplo interessante é o caso do garoto que desbloqueou o Playstation 3. A Sony tentou processar esse jovem, pressioná-lo na Justiça e acabou vítima da fúria das comunidades hackers.  Mais inteligente foi o Facebook que procurou esse jovem e lhe ofereceu um emprego. Esse menino GeoHox é um gênio! É melhor dialogar com ele que confrontá-lo nos tribunais.

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